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Esta rede se insere na fronteira entre a cena teatral e a cena hipermidiática por uma Biopolítica entre artistas/articuladores da Amazônia

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Como faço para participar??? 1 resposta 

Como faço para participar de uma peço teatral organizada pela Floresta???Continuar

Iniciado por Elaine. Última resposta de Elaine 23 Abr.

Custo Amazônico

O espaço A DEIXA (final da coluna central desta Rede) está aberto para a missão de contribuir na conceituação e junção de informações que justifiquem o CUSTO AMAZÔNICO perante o Brasil.Dá uma olhada! Tem uns links lá para iniciar a conversa.Continuar

Iniciado por Paulo Ricardo Nascimento 19 Set, 2011.

Revista Terreiro Contemporâneo nº 2

 Repassando a mensagem:Parceiros e colaboradores:Desde o dia 28 de julho está no ar a Revista Terreiro Contemporâneo, estamos contentes com o visual, o conteúdo e as visitas. tudo sem apoio nem divulgação.Estamos inscrevendo em vários lugares e…Continuar

Iniciado por Wilton Montenegro 17 Ago, 2011.

MAIS UMA APRESENTAÇÃO DO ESPETÁCULO "ASSEMBLÉIA DAS ÁRVORES"

O Ponto de Cultura Amazônia Arte-Mythos apresenta dia31/07/2011 ASSEMBLÉIA DAS ÁRVORES às 18:00 horas no Teatro Jorge Bonates. Entrada franca! O  espetáculo foi ganhador do Prêmio Miriam Munyz 2008 da Funarte. FICHA TÉCNICAASSEMBLEIA DAS…Continuar

Iniciado por Associação Amazônia Arte 27 Jul, 2011.

Planos para o Teatro Paraense

Teatreiros do Pará que estão nesta REDE,O Fórum Livre Permanente de Teatro elaborou uma proposta de Plano Estadual de Teatro. Este Plano deverá compor o Plano Estadual de Cultura, que regerá as políticas públicas estaduais para os diversos setores…Continuar

Iniciado por Paulo Ricardo Nascimento 9 Mar, 2011.

TEATRO PARA A CIDADE DE BELÉM em 2011

Fazedores de teatro de Belém,Fórum Livre Permanente de Teatro do Pará propõe uma nova discussão para uma proposta de Ações e de Políticas Públicas para as atividades teatrais da Cidade de Belém, para reelaborar ou referendar o que se materializou em…Continuar

Iniciado por Paulo Ricardo Nascimento 9 Mar, 2011.

UFPA EM REDE


 


A UFPA NA CIBERCULTURA


Visite a Etdufpa

 

ETDUFPA\ICA ADERIU A UNICULT

VC PROCURA UM SETOR DA UFPA? USE A listatelefnica.pdf ESPECÍFICA DA UFPA.

SALVE POVO D@ FLORESTA SEJAM BEMVINDOS

A Rede Teatro d@ Floresta é uma ação dos Artistas-Articuladores de Teatro da Região Norte do Brasil (AMAZÔNIA).

O Brasil, com todas as suas instituições e mecanismos de políticas culturais para as artes do teatro, não poderá continuar míope quanto aos artistas do norte do país e suas poéticas e procedimentos cênicos, mas principalmente, deixar de reconhecer o que significa o CUSTO AMAZÔNICO do fazer cultural / teatral em nossa região, implicando um compreensão das dimensões histórica, geográfica, sócio-política, econômica e imaginária de nossa terra e tribos.
Nossa potência é reconhecer que nós do teatro da Amazônia já estamos escrevendo, na web, a história do nosso teatro de hoje e que para compreendermos esta escritura faz-se necessário a máscara do pesquisador /artista / articulador. Portanto, aproveitem e tornem suas páginas nesta rede, mais que "vitrines de conteúdos" de suas produções artísticas (espetáculos, ações de formação, companhias/grupos/trupes/coletivos etc.), articulando sua ação como uma interação político-artistica mediada por computador; como uma rede: a Rede de Teatro d@ Floresta.
Assim, o "Brasil" não poderá continuar dizendo que não conhece o(s) Teatro(s) da Amazônia e suas demandas.


CONSTRUTORES DA REDE TEATRO D@ FLORESTA


A Rede Teatro d@ Floresta está sob os auspícios da Escola de Teatro e Dança, sub-unidade do Instituto de Ciências da Arte - ICA - da Universidade Federal do Pará

 Na Etdufpa esta Rede é viabilizada via Projeto de Extensão coordenado pela Profa. Dra. Wladilene de Sousa Lima (Wlad Lima), membro e sub-líder do PACA - Pesquisadores em Artes Cênicas na Amazônia, grupo de pesquisa credenciado pelo CnPq e diretamente responsável por esta ação em rede.

Para maiores contatos com esta Rede, acionar:

QUEM É A ARTISTA-ARTICULADORA GORDAWLAD?

É artista-pesquisadora, atriz, diretora e cenógrafa de teatro na cidade de Belém do Pará. Possui graduação em Ciências Sociais pela UNAMA - União das Escolas Superiores do Pará, mestrado e doutorado em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia PPGAC/UFBA. Atualmente, na Universidade Federal do Pará, é professora nos cursos técnicos de formação de ator e de cenógrafo, na graduaçao em dança e em teatro, na especialização em Estudos Contemporâneos do Corpo e no mestrado em Artes e Cultura do Programa de Pós-graduação em Artes PPGArtes - do Instituto de Ciências da Arte ICA. Coordenadora do Projeto de Extensão Observatório do Teatro na Web da Etdufpa. Coordenadora do Projeto de Pesquisa Teatro d@ Floresta: Uma História do Teatro da Amazônia do Tempo Presente inscrita na Web pelo Grupo de Pesquisa PACA Pesquisadores em Artes Cênicas na Amazônia. Administradora da Rede Teatro d@ Floresta, disponível na internet pelo lin Na categoria artística atua como presidente d`A TRAMA Associação de Teatro e Dança da Amazônia, diretora artística da Dramática Cia., criadora e administradora do Teatro Porão Puta Merda, artista-articuladora do Fórum Permanente de Teatro do Estado do Pará e membro do Colegiado Setorial de Teatro do MinC (2010/2012) representando a Região Norte. Tem experiência na área de Formação de Ator, com ênfase na concepção de Ator-criador e Encenação e Memória com ênfase na formação de Jovens encenadores e construção de Netcenas (Blogs e Wikis), atuando principalmente sobre os seguintes temas: matrizes de encenação, processos de criação, cartografias poéticas, dramaturgia pessoal do ator, histórias de vida em cena e dráōterapia (autopoiésis pela dimensão libertária do teatro).

HORA EM BELÉM - PARÁ

ALGUNS SITES DE ESCOLAS DE TEATRO

FORMAÇÃO 1: MÉTODOS DE REGISTRO DE CENA EM DIÁRIOS DE BORDO

BLOGS NOVINHOS EM FOLHA: os Diários de Bordo Virtuais (em construção) da turma do Primeiro Ano da Licenciatura Plena em Dnaça da ETDUFPA de 2010 - Disciplina Metodologia de Pesquisa em Arte, ministrada por Wlad Lima.
Metodarte
MPArte
Pesquisas e comentarios
Metodologia de Pesquisa em Arte
A Arte de Pesquisar
Aulas da Wlad
Gessica Nunes
Pesquise.Arte
Amuarte
¿¿¿¿¿¿¿¿¿
Saber de Arte
DeverDeCasa
A Pesquisa em Dança Terapia
Zouk
adoradora_bailarina
kapovolta arte e cultura
Meu Diário de Arte

Os Diários de Bordo Virtuais da turma do Primeiro Ano da Licenciatura em Teatro da ETDUFPA de 2010 - Disciplina Trajetórias do Ser, ministrada por Wlad Lima
teATrO com trAjeTO de Paulo Ricardo
Sonhando Arte de Kayo Costa
O Eu que Transita de Adhara Belo
Meuzem Baralhos de Ícaro Gaya
Experimentalóide de Delianne Lima
Teatro Belém de Kátia
Gases e Líquidos de Romário
Paty grigoletto's Blog de Patrícia
Blog de Maíra Tupinambá
Rose Tuñas de Rose
"O Meu Ser" de Felippe
Trajetórias da minha Arte de Renan Delmont
Dado Matarazzo (Trajetórias do Ser)
Tra'Ser'tórias de Sta. Dominguez
Macabordo de Marckson de Moraes
Travesseiro de Água de Ramón Rivera
Homem, que pensa e Poetiza por Ti... de Patrick Pimenta
Arremedo de Téspis de Ives Oliveira
Aprimorando Arte de Rafael Cabral
Blog da Carmem Manito

E OUTROS JÁ ESTÃO CHEGANDO LOGO LOGO


A "Cena" pode ser de processos de criação, tanto em sala de ensaio quanto em sala de aula. O que esse espaço quer é divulgar modos e procedimentos de registro e memória da criação, experimentação e pesquisa.

Diários de Bordo artezanais

Diários de Bordo de Iluminação - Profa Iara Regina
Diários de Bordo de Ator - Profa Wlad Lima
Diários de Bordo - Teoria da Cena / 2009 - Profa. Wlad Lima
Diário de Bordo do 1 ano de Graduação em Teatro / 2009 - Profa. Wlad Lima


Diários de Bordo Virtuais

http://blig.ig.com.br/cleicemaciel/
http://diariodebordodaninha.blogspot.com/
http://diariodebordodotonico.blogspot.com/
http://diariodoenoque.blogspot.com/
http://trajetoriadaluana.blogspot.com/
http://terradeveracruz..blogspot.com
http://rodolpholeao.blogspot.com/
http://alynegoes.blogspot.com/

São links para blog-diário-de-bordo (instrumento didático-artístico para work in progress ) dos alunos-futuros-professores de uma disciplina em construção - Trajetórias do Ser - da recém implantada (2009) Licenciatura Plena em Teatro da Etudfpa.

De quebra, imagem do Livro PÁGINA VIOLADA sobre Livros de Artistas

FORMAÇÃO 2: MÉTODOS DE REFLEXÃO VIA INTERVENÇÃO EM MULTILINGUAGENS)

PANÔCORPOS:
Representações plásticas e cênicas dos projetos de pesquisas do Curso de Especialização em Estudos Contemporâneos do Corpo: criação, difusão e recepção do Programa de Pós-graduação do ICA da UFPA.

Blog Palhaçada

BLOG AQUI

OBSERVATÓRIO DO TEATRO NA WEB

O OBSERVATÓRIO DO TEATRO NA WEB foi um Projeto de Extensão da ETDUFPA e agora está sendo incorporado a Rede Teatro da Floresta, em primeiro lugar, como um experimento livre com abordagens metodológicas aplicadas sobre escriituras hipermidiáticas de artistas da cena e por fim, como mais um dispositivo de interaçao entre os membros dessa rede.
Nessa postagem o BLOG EM DESTAQUE É:

 

A DEIXA por Paulo Ricardo Nascimento

 

Esse espaço está aberto às buscas sobre uma conceituação que nos cabe, como membros-habitantes da floresta:
CUSTO AMAZÔNICO.
É o "como" estamos chamando esta condição natural, que parte do Brasil, incluindo mesmo uma parte da Amazônia, insiste em não (re)conhecer. Talvez o medo de um sentimento de explorador (e ter que REPARAR tal feito) pode ser o disfarce para essa ignorância. Derrubemos esta máscara, então, arranquemos esta venda.
Iluminemos esse saber.

Compartilho alguns links que me acompanharam durante a semana que passou:

A Coluna de Lucio Flávio Pinto no portal Yahoo. Vale a pena conferir semanalmente:
A Entrevista com Felício Pontes JR. concedida à revista Época. É a perda anunciada das culturas do Xingu. Muito custo para pouca energia.
A Amazônia aos anos 1000 pós Cristo e a possibilidade de conhecermos nossa floresta.
depois acrescento mais..

 

Procurei fora de mim há muito tempo, na infância de meus dias... descobri que não está fora de mim, e sim bem lá dentro de mim.

Havia uma portinha, “para crianças passarem”, pensava eu. Depois de grande, apenas do lado de fora... eu via a mesma portinha no mesmo lugar erguida. “adultos não passam aí”, pensava eu. Mas a curiosidade que move as descobertas e peraltices dos infantes (mesmo aqueles que nunca crescem), fez com que eu acumulasse diversas chavinhas ao longo da vida. A segunda delas, aos seis anos de idade eu a encontrei para logo em seguida perdê-la.

No dia em que eu vi pela primeira vez o mar (que na verdade era mar de rio, um marzão de água doce), encontrei nas areias uma chavinha muito linda e dourada, simbolicamente seria uma das chaves da minha vida, que uma criança de apenas seis anos encontrara e brincava por entre os dedos. Achei-a tão lindinha. Brinquei metade do dia com ela, apenas na areia. Tive medo de mergulhar e deixa-la sobre a praia e de repente outra criança carregá-la dali de minhas vistas... mas eu queria mergulhar..., então pensei se eu colocasse a chavinha dentro de meu biquíni, os tecidos a deixariam a salvo das águas. Mergulhei!

De volta à praia, procurei minha chavinha. Não estava mais nos tecidos de meu biquíni. Fiquei triste, e entendi naquele momento no meio do nada – pois para mim em minha tenra compreensão, só havia eu; o mar; o céu; o vento; a areia; e meus pensamentos (e isso tudo se constituía meu universo. Meu irmão mais velho brincava com meu primo. Estavam afastados de mim tanto na idade das brincadeiras, quanto na imaginação; e meus pais biológicos e tios estavam enfiados em seus próprios universos sem se preocuparem com as crianças na areia da praia). Naquele instante precocemente solitário, entendi que tudo é passageiro, ilusório... que não temos certeza de muita coisa: ao mesmo tempo que a Vida nos dá, ela leva de volta. Ficamos apenas com nossas convicções e escolhas.

A sensação foi de vazio... De impotência diante de uma Vontade Invisível que rege todas as coisas. Então, lembrei-me de uma história que minha avó me contava: de uma moça de vestes azul e branca feita das espumas do mar, uma moça que às vezes virava sereia... então eu achei que ela havia ficado com minha chavinha, pois eu mergulhei em sua praia sem pedir licença. Aí, eu olhei bem para as ondas, e fiquei assim durante uns vinte minutos pensando sobre o que aquela moça bonita que morava nas águas faria com minha chavinha. “Que portinha será que ela vai abrir com aquela chave tão pequenina?” Quem me tirou dessa meditação foi um menino de minha idade que veio me chamar para brincar com ele. Seu nome era Michael. Ele estava em companhia dos avós maternos, que o monitoravam de perto sentadinhos na areia, bem em nossa direção.

Lembro-me bem desse episódio, e daquela chavinha tão bonitinha que as águas da praia engoliram. E desde então, eu realmente nunca mais me apeguei a nada, pois sabia que a qualquer momento, sem aviso prévio, as coisas e as pessoas podem nos deixar. Assim como aconteceu com meu amiguinho Michael que foi embora com os avós e eu fiquei o resto do dia brincando sozinha na areia. Ainda me lembro de seu rosto contrariado, dando-me um aceno, querendo ficar mais um pouquinho. Essa foi minha segunda chave. A primeira chave veio-me aos cinco anos e meio.

Sim! Sempre fui muito precoce... e já nasci imersa ao caos... Meus pais biológicos não sabiam lidar comigo. Eu era uma criança agitada, muito arteira, inteligente, observadora, calculista e estrategista... (confesso, às vezes eu era um diabrete...), não exatamente respondona, mas gostava de me inteirar sobre as coisas e gerir minhas ações conforme meus próprios pensamentos. Infelizmente as coisas eram de domínio dos adultos, e uma frase maligna e imoral que meu pai biológico sempre me dizia “isso não é de sua conta...”, dava-me vontade de voar no pescoço dele e puxar sua língua pra fora até ele pedir-me desculpas... ele não me respeitava, portanto não merecia o meu respeito também. Mesmo assim, contive-me inúmeras vezes.

Sua fala mal-educada me deixava claro que o fato de eu ser criança, aos olhos dos adultos eu seria incapaz de compreender aquele mundo louco deles. E quando eu detonava minhas impressões sobre as coisas, (para minha idade muitos pensamentos, ações e até mesmo comentários os deixavam perplexos, pois parecia que uma criança de apenas cinco anos era ainda mais madura do que eles...). Respondiam-me com severidade, medo e o pior de tudo, com violência. Apanhei muito em minha infância. Sobretudo de minha genitora. Na atualidade tal comportamento dela se ajustaria na conduta de espancamento... não havia diálogo, apenas cinturão e fivela... beliscões; tapas; coques; xingamentos, empurrões e palavrões. Minha mãe biológica foi muito perversa comigo em muitos momentos. Isso me entristecia bastante, pois não compreendia o porquê. A chave disso me veio aos sete anos... então, me libertei da culpa, pois percebi que não era eu, era ela. Depois eu narro quando a quarta chave me veio às mãos.

Então, eu tinha exatos cinco anos e meio quando decidi ir embora pra casa sozinha saindo da escola onde eu cursava meu tão desinteressante Jardim da Infância! Quem ia me apanhar normalmente era meu genitor, e ele sempre chegava atrasado. Todas as crianças já tinham ido embora com suas mães, e eu ficava sentada na escadaria olhando o prédio sendo deixado às escuras e trancado. E igualmente o céu ia escurecendo e abandonando sua alegria. Era horrível presenciar aquele ritual de abandono. O pior de tudo mesmo, era ver nos olhos de minha professorinha adorável, Srta. Graça Barroso (tia Graça para mim), o transtorno que era para ela ficar esperando alguém vir me pegar. Ela estava cansada de um dia inteiro de trabalho e ainda tinha que me fazer sentir uma criança amada e protegida, (mas por quem exatamente?, era o que ela não conseguia me esclarecer). Eu me enchi daquilo!

Um belo final de tarde... era uma quinta-feira, eu decidi ir embora sozinha pra casa. Andei os cinco quarteirões sozinha e confiante. Atravessei os três sinais de trânsito; fui curtindo a paisagem... acertei o endereço de casa. Realmente fiquei muito feliz com essa façanha. À porta de casa abri um sorrisão para eles, e não entendi quando me veio o primeiro safanão! “é pra você nunca mais vir sozinha pra casa... é perigoso”, disseram. “Perigoso é conviver com eles...”, eu pensava. Poxa, e eu achando que eles iam me dar os parabéns por eu ter conseguido chegar sozinha em casa sem ajuda de ninguém!

Chorei de revolta! Não exatamente pela surra. Passou uma semana mais ou menos, então mudei de estratégia. Pedi a mãe de uma coleguinha para me deixar acompanha-la, pois a casa dela ficava a dois quarteirões e meio de onde eu morava, então não seria “perigoso demais para mim...” (pensei). Cheguei em casa novamente sozinha, e não foi diferente. Eu via nos olhos de meus pais biológicos o assombro que eu causei. Daquele tamanho eu já tinha muito bem resolvido a compreensão de liberdade e já era bem independente. Desde esse dia, meu genitor me vigiava como se eu fosse uma criminosa ou uma louca varrida... fui crescendo cada vez mais revoltada com essa autoridade sem explicações, e sem abertura para diálogos.

Foi aí, aos cinco anos e meio de idade, que começou minha conduta em busca de minha liberdade de expressão. Esse traço se manteve ao longo de minha história de vida, na minha Arte, sobretudo, em meu fazer teatral. Liberdade de escolher a linguagem, a linha de pesquisa, de experimentar esse ou aquele caminho. Nunca concordei em alguém decidindo as coisas por mim. Desde nova eu já vinha me afirmando. Eu já sabia o que eu queria e como eu queria. O que eu arquitetava, seja uma brincadeira de faz de conta, ou outra coisa qualquer. Precisava apenas das chaves, que meus genitores me negaram desde o dia em que eu nasci. Mas a vida generosamente e também brutalmente se encarregava de largar-me as mãos.

Isso se refletiu no meu fazer teatral, não gosto de falar em cena, não fui treinada para isso nem na vida. Aprendi a me expressar de outras formas. Mas graças ao Teatro outras chaves de mim mesma estão me chegando, de maneira tão rápida que tenho receio de não as utilizar todas em tempo hábil. É impressionante como tudo se constrói na tenra infância. Está tudo lá: o sucesso ou o fracasso de alguém na vida adulta. Graças a Deus, eu tive três anjos da guarda que me fortaleceram ao máximo para não me deixar arrastar pelos percalços, e pelos meus primeiros e mais difíceis inimigos (meus próprios pais biológicos), nem acredito que sobrevivi àquele campo de guerra. É triste dizer isso, mas minha história não é ficção nem fantasia, foi uma vida dura e cruel. E que agora já consigo falar sobre.

Em minhas brincadeiras de faz-de-conta, eu já realizava alguns exercícios teatrais de percepção e observação que só fui ligar depois de muitos anos, quando de fato adentrei nesse campo de compreensão. E é engraçado perceber isso, pois quando se nasce com um dom, ou um Destino para algo, não importa o tempo que se retarde... achamos o caminho dessa estrada, e chegam em nossas mãos todas as chaves das quais precisamos. Às vezes elas são uma palavra, um livro, uma foto, um filme, ou uma pessoa.

Esse escrito é o inicio de minhas “Memórias” e são fatos intrinsecamente relacionados ao meu oficio de atriz. Decidi escrever antes de eu desaparecer desse mundo. E junto dessas memórias também virão coisas que descobri sobre a percepção do artista, que talvez sirva para alguém que começa a pisar nesse território de teatro... não há nada mais assustador e libertador do que conhecer-se a si mesmo. O Teatro é uma ferramenta fabulosa.

.

(continua...)

Katiuscia de Sá
24/ 02/ 2012
2:53 a.m.

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