
Na sala de apresentações de espetáculos do grupo de teatro Narradores, reuniu-se um grupo de 12 artistas de teatro, dentro da programação do próximo ato, para refletir sobre o tema: TEATRO POLITICO E MODOS DE PRODUCAO: MODOS DE PRODUCAO NA REPUBLICA DAS BANANAS. Tema proposto por Fernanda do grupo Kiwi Cia de Teatro de SP.
O grupo começou a reflexão citando a lei de renuncia fiscal federal como exemplo das diferenças e incongruências da política cultural da republica brasileira, os dados citados pelo interventor justifica a afirmação que apenas 3% dos inscritos e aprovados, captam recursos da lei. 90% dos recursos captados são provenientes do eixo são Paulo e rio de janeiro. Discutir a lei implica em discutir apenas um aspecto da realidade teatral brasileira, pois este dispositivo legal, serve apenas a uma parcela da produção teatral, mas reconhecemos que serve a alguém. Duas opiniões são colocadas ao grupo sem acirramentos radicais de posições: negar e exigir o fim da lei ou compreende-la como um mecanismo a mais que serve a algumas experiências artísticas do sistema. Outros mecanismos poderão atender outras demandas como sistemas, planos e fundos de cultura. Como exemplo citado a lei de fomento em São Paulo. Ratificou-se também a questão que as políticas publicas ainda são possíveis de disputa por todos os grupos teatrais, o que não ocorre com as políticas das empresas privadas.
Em seguida, passamos a discutir o que compreendemos por teatro político, o que ele implica na organização coletiva e do que ele fala esteticamente.
Um dos aspectos compreendidos como teatro político é como analisamos e utilizamos as políticas propostas pelo Estado e pela iniciativa privada. O exemplo do Projeto Próximo Ato, que esta oportunizando a organização e mobilização dos grupos de teatro da Amazônia Legal. Precisamos de mecanismos para a nossa organização e queremos que alguém pague a conta. Todo teatro é político, mas que tipo de política se quer construir pelo teatro. Para que se transforme em movimento precisamos compreender as diversas formas de organização de grupos teatrais e suas formas de sustentabilidades. Vivemos uma crise de representações , frente ao Estado, as organizações de classe (sindicatos, federações, cooperativas) bem como junto ao próprio publico. Crise de Identidades e identificações.
Não podemos construir um teatro político sem compreendermos os modos de produção capitalista em que vivemos. O capitalismo e excludente e sempre gera exclusão. Para o capital, teatro e mercadoria e deve ser tratado como tal. Temos experiências comuns e podemos nos reconhecer muito mais nelas do que nas formas de organização e sustentabilidade. Devemos avançar em criar novos modos de captação de recursos e estratégias de sobrevivência por entre o capital e não para ele, mas na busca de suas contradições .